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31 de Março: Entre Ciclos de Poder e a Escolha que Nos Define

O Brasil não falha por escolher “o lado errado”. Ele falha por não aprender com os ciclos anteriores

Redação Folha Pantanal
Por: Redação Folha Pantanal Fonte: Adelino Alexandre Lopes - Literato - projeto#ecodecidadania
31/03/2026 às 13h48
31 de Março: Entre Ciclos de Poder e a Escolha que Nos Define
Adelino Alexandre Lopes - literato - projeto #ecosdecidadania

Há datas que não passam. Elas permanecem - como marcas na estrutura invisível da nação.

O 31 de março nos remete ao Golpe de 1964 - ponto de ruptura que interrompeu a democracia e cuja superação só se consolidaria com a Constituição de 1988. Mas compreender o Brasil exige mais do que lembrar extremos. Exige olhar os caminhos que construíram a travessia.

Os governos que moldaram a transição - Entre o autoritarismo e os projetos ideológicos mais definidos, o país passou por lideranças que, muitas vezes, foram subestimadas - mas fundamentais. Com José Sarney que sucedeu Tancredo Neves, iniciou-se a transição democrática, ainda sob forte instabilidade econômica. Fernando Collor de Mello representou a abertura econômica abrupta - mas também protagonizou uma crise institucional que culminou em impeachment. Sob Itamar Franco, o Brasil encontrou um raro momento de equilíbrio, que permitiu o nascimento do Plano Real.

Com Fernando Henrique Cardoso, consolidou-se a estabilidade monetária, com reformas estruturais e controle da inflação - base essencial para qualquer avanço social posterior. E mais recentemente, Michel Temer conduziu reformas importantes em meio a uma crise política profunda, com destaque para o teto de gastos e mudanças na legislação trabalhista.

O que esses governos nos ensinam - Esses ciclos não foram de ruptura ideológica radical - foram de contenção, reorganização e estruturação do Estado. Eles não produziram grandes ondas de inclusão social. Mas criaram algo igualmente essencial: Estabilidade. Sem ela: não há crescimento sustentável; não há política social duradoura; não há previsibilidade econômica.

O Brasil não é binário - ele é acumulativo - Ao analisarmos os últimos 60 anos, percebemos que o país não foi moldado por um único projeto. Ele é resultado de três forças: 1.    Ordem e estrutura (militares e reformas institucionais) 2.    Estabilização econômica (Sarney → FHC → Temer) 3.    Inclusão social (Lula → Dilma → retomada recente) E, em paralelo, experiências como a de Jair Bolsonaro, que buscaram acelerar reformas e reduzir o papel do Estado, com resultados distintos e controversos. O verdadeiro erro do debate atual - Reduzir o Brasil a “esquerda versus direita” é um empobrecimento perigoso. Porque ignora que: A estabilidade econômica não nasceu da esquerda; A inclusão social não nasceu da direita; E a democracia não sobrevive sem ambas. A armadilha da memória seletiva - Há quem exalte apenas o crescimento. Há quem exalte apenas a inclusão. Há quem exalte apenas o ajuste fiscal. Mas o Brasil já tentou cada um desses caminhos isoladamente. E falhou - quando tentou caminhar com apenas um deles.

A pergunta que precisa ser feita hoje - Diante de tudo isso, a questão não é: “Qual governo foi melhor?” Mas sim: Qual projeto consegue integrar estabilidade, crescimento e justiça social ao mesmo tempo? Mas revisitar essa data, hoje, em 31 de março de 2026, exige mais do que memória. Exige coragem analítica. Não é sobre esquerda ou direita — é sobre resultados. Ao longo das últimas décadas, o Brasil experimentou modelos distintos de governo: Um período autoritário e centralizador; Um ciclo de inclusão social e expansão de direitos; Uma fase de ajuste econômico com menor intervenção estatal. E mais recentemente, sob lideranças como Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Jair Bolsonaro, vimos a intensificação dessas diferenças. Mas a pergunta que precisa ser feita não é ideológica. É objetiva: Qual desses caminhos melhorou, de fato, a vida do povo brasileiro?

Quando olhamos para os fatos (e não para as narrativas) - O período autoritário promoveu crescimento — mas concentrou renda, suprimiu direitos e deixou uma herança de crise econômica. Os governos de esquerda ampliaram o acesso à renda, educação e saúde - promovendo a maior mobilidade social da história recente, ainda que tenham enfrentado limites fiscais e crises posteriores. O ciclo mais recente de viés liberal promoveu reformas e ajustes - mas com impacto social desigual e aprofundamento da polarização.O erro histórico que insistimos em repetir - O Brasil não falha por escolher “o lado errado”. Ele falha por não aprender com os ciclos anteriores. Vivemos um padrão recorrente: Crescemos…, sem distribuir. Distribuímos…, sem sustentar. Ajustamos…, sem proteger. E assim, giramos. Sempre giramos. A ilusão das narrativas prontas - Parte da sociedade ainda busca respostas fáceis: “O problema é da esquerda”. “O problema é da direita”. “O problema é o sistema”. Mas essa simplificação serve apenas a um propósito: manter o eleitor desatento. Porque um eleitor consciente faz perguntas incômodas: Quem cresceu - e quem ficou para trás? Quem foi incluído - e por quanto tempo? Quem pagou o custo das decisões? A responsabilidade que não pode mais ser terceirizada - A democracia não falha sozinha. Ela reflete as escolhas de quem vota. E aqui está o ponto central: Não escolhemos apenas governantes. Escolhemos modelos de país. Cada voto carrega uma decisão sobre: inclusão ou exclusão; estabilidade ou ruptura; futuro ou repetição. Entre memória e consciência - Relembrar 1964 não é um exercício ideológico. É um exercício de responsabilidade histórica. Ignorar os ciclos recentes não é neutralidade. É negligência. E votar sem compreender essas trajetórias não é liberdade plena. É vulnerabilidade.

Conclusão: o país ainda está sendo escrito - A história brasileira não é uma linha reta. É uma construção em camadas — muitas vezes conflitantes, mas interdependentes. Ignorar Sarney, Collor, Itamar, FHC e Temer é ignorar a base. Ignorar Lula e Dilma é ignorar a inclusão. Ignorar os erros recentes é comprometer o futuro. O Brasil já percorreu caminhos suficientes para saber o que funciona - e o que custa caro demais. Mas ainda não aprendeu a integrar: crescimento com justiça; liberdade com responsabilidade; Estado com eficiência. Enquanto isso não acontecer, seguiremos presos a ciclos que se alternam - mas não se completam. Que este 31 de março não seja apenas memória. Seja consciência. Porque a história não se repete por acaso. Ela se repete quando não é compreendida. O voto não pode mais ser um ato de reação. Precisa ser um ato de compreensão. Porque não escolhemos apenas nomes. Escolhemos direções históricas. E um país que não entende sua trajetória…, corre o risco de repeti-la - sem perceber.

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