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A Responsabilidade da Palavra Pública

“Quem acusa tem o dever da prova. A palavra pública não é poder - é responsabilidade.”

Redação Folha Pantanal
Por: Redação Folha Pantanal Fonte: Adelino Alexandre Lopes - Literato - Projeto #ecosdecidadania
06/03/2026 às 08h16
A Responsabilidade da Palavra Pública
Imagem:  À esquerda: uma mesa com microfone, Adelino Alexandre Lopes - Literatojornal aberto e celular iluminado representando mídia e redes sociais. Ao centro: uma balança da justiça, levemente inclinada. À direita: tribuna parlamentar e púlpito religios

             Na da internet, nas páginas de um jornal, na bancada de som de uma rádio. Atrás do púlpito de um templo, na tribuna do parlamento, na mesa diretora da Câmara dos Deputados, no Senado, no Tribunal de Justiça e no Palácio do Planalto quer seja um influenciador digital, jornalista, radialista, religioso, vereadores, deputados, senadores, juízes, ministros ou o presidente, têm imunidade de suas falas, observando que: quem acusa, calunia ou difama tem o dever do ônus da prova.

Vivemos em um tempo em que a palavra percorre distâncias imensas em poucos segundos. O que antes era dito em pequenos círculos hoje ecoa nas telas, nas ondas do rádio e nas páginas digitais com alcance quase ilimitado. Nos posts da internet, nas páginas de um jornal, na bancada de som de uma rádio, atrás do púlpito de um templo ou na tribuna de um parlamento, a palavra ganha autoridade. E com ela, também deveria crescer a responsabilidade. Quem fala nesses espaços não fala apenas por si. Fala diante da sociedade. Seja um influenciador digital, jornalista, radialista, religioso, vereador, deputado, senador, juiz, ministro ou presidente da República - todos ocupam lugares onde a voz pública se transforma em instrumento de influência.

A democracia garante a liberdade de expressão. Mas a própria democracia também estabelece limites éticos e jurídicos para o uso dessa liberdade. Nenhuma autoridade possui imunidade moral para ferir a honra alheia. É verdade que, em certos ambientes institucionais, como parlamentos, existem garantias jurídicas para proteger o livre debate político. Essas garantias existem para impedir perseguições e assegurar o funcionamento da democracia. Mas tais garantias jamais foram concebidas como autorização para a irresponsabilidade. A palavra pública não é uma arma sem consequências. Quando alguém acusa, calunia ou difama, a própria lógica do direito impõe um princípio fundamental: quem acusa tem o dever do ônus da prova. Sem prova, a acusação deixa de ser denúncia e passa a ser injustiça. Sem prova, a crítica deixa de ser debate e se transforma em agressão moral.

E quando isso ocorre vindo de figuras públicas, o dano é ainda maior. A palavra de quem ocupa posição de influência carrega peso simbólico. Ela molda percepções, constrói reputações e, muitas vezes, pode destruir vidas. Por isso, quanto maior o cargo, maior deve ser a responsabilidade com a verdade. A liberdade de expressão não é o direito de falar qualquer coisa. É o direito de falar com responsabilidade. A democracia não se sustenta apenas na liberdade de voz - ela se sustenta também na integridade da palavra. Porque quando a mentira ocupa o espaço da verdade, quando a acusação substitui a prova, e quando a difamação passa a ser instrumento político, não é apenas uma pessoa que é atingida. É a própria confiança social que começa a ruir. E uma sociedade que perde a confiança na palavra pública começa, lentamente, a perder também a confiança em suas instituições. Por isso, antes de falar diante do povo, diante dos microfones ou das câmeras, talvez cada agente público devesse fazer a si mesmo uma pergunta simples: Minhas palavras são sustentadas pela verdade - ou apenas pelo eco do poder que ocupo? Porque no tribunal da história, mais cedo ou mais tarde, toda palavra será confrontada com os fatos. E ali não existe imunidade. Existe apenas a verdade. “Quem acusa tem o dever da prova. A palavra pública não é poder - é responsabilidade.”  

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